Sonho premonitório

- Acordem, crianças, acordem – disse o pai aflito.  O mundo vai acabar hoje a meia noite.

As crianças, ainda sonolentas, sem saber o que estava acontecendo, resmungam para o pai deixarem-nas dormir mais um pouco. Paulinho ainda arriscou:

- Mas ainda são duas e meia da manhã. Dá tempo de dormirmos mais um pouco.

- O quê? Vamos, vamos…não discutam, acordem. Não podemos perder tempo…Vamos todos viajar.

- Viajar – surpreendeu-se Maria, a mãe. Viajar para onde?

- Não temos tempo a perder. No caminho eu explico.

Todos se aprontaram e com pequenas malas de mão (o pai recomendou que não levassem muita bagagem, pois não iriam precisar) e se colocaram diante do carro naquela madrugada fresca e estrelada, quando Djalma resolve explicar o que está acontecendo.

- Hoje é um dia muito especial, por isso eu os acordei tão cedo e com pressa. Eu estava dormindo e tive um sonho premonitório que me avisava que o mundo iria se acabar a meia-noite de hoje. Foi muito real e é verdade o que está acontecendo. Vocês têm que acreditar em mim. Não podemos esperar mais. Vamos, entrem. Temos que aproveitar este dia – ele é o último, não podemos desperdiçar nem um minuto sequer.

- Pai, você está ficando louco? – perguntou Tata, a caçula.

- Não, minha filha, não estou ficando louco. Isso é muito sério, confie em mim.

Saíram em direção da auto-estrada a todo vapor, quando arrisca Paulinho:

- Mãe, para onde vamos?

- Não sei, meu filho, não sei. Quando achar melhor, seu pai dirá – respondeu a mãe aflita.

- Estamos indo para um lugar muito especial e nostálgico. Será uma surpresa. Mas não se preocupe com isso. Vamos curtir a viagem e aproveitar nosso momento em família – concluiu o pai.

O silêncio estabeleceu-se naquele carro que seguia sem parar. Maria reconhecia o caminho, mas achou melhor não comentar – poderia causar um mal estar. Sabia que aquele caminho os levaria à cidade onde viviam em outros tempos. E quanto mais aproximavam-se, mais tinha certeza de que aquele caminho lhe era familiar.

- Enfim estamos chegando – disse o pai entusiasmado.     Já era hora do almoço.

Os membros da família se entreolharam e sem entender o que estavam fazendo ali diante daquela churrascaria chamada Costelão Gaúcho, questionaram juntos: “O que é isso? O que é isso? O que é isssssss……..”

Naquele momento um clarão se deu e Djalma abriu o olho e viu sua mulher e seus filhos chamando-o para o almoço – tinha carne assada.

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